O que são citocinas?
são pequenas proteínas sinalizadoras produzidas por diversas células do corpo que regulam a comunicação celular no sistema imunológico. Atuam ligando-se a receptores específicos na superfície das células, desencadeando sinais que controlam a ativação, crescimento, diferenciação e função das células imunes, além de coordenar respostas inflamatórias e de defesa contra infecções.
O que são quimiocinas?
são um tipo específico de citocinas cuja principal função é estimular o movimento e a migração direcionada dos leucócitos para os locais de infecção, inflamação ou dano tecidual. Elas ajudam a guiar as células imunes do sangue para os tecidos onde são necessárias, regulando a resposta inflamatória e a defesa do organismo.
Quais as propriedades das citocinas?
As citocinas apresentam pleiotropia (uma citocina atua em diferentes células), redundância (citocinas diferentes podem ter o mesmo efeito), sinergismo (atuam juntas potencializando a resposta), antagonismo (uma pode inibir a ação da outra), ação em cascata (uma estimula a produção de outras citocinas) e ação autócrina, parácrina e endócrina (atuam na própria célula, em células próximas ou à distância, via circulação sangínea). Essas propriedades permitem a regulação precisa das respostas imunes e inflamatórias.
Como ocorre a sinalização para os receptores? Quais tipos existentes?
A sinalização para os receptores de citocinas ocorre quando a citocina se liga a um receptor específico na superfície da célula-alvo, desencadeando uma cascata de eventos intracelulares que resultam na ativação ou inibição da expressão de genes e modulação da função celular.
Os principais tipos de receptores de citocinas são:
Receptores homodiméricos – formados por duas subunidades
idênticas que se juntam para reconhecer a citocina.
Receptores heterodiméricos com cadeia comum – compostos por
subunidades diferentes, incluindo uma cadeia comum compartilhada
entre vários receptores.
Receptores heterodiméricos sem cadeia comum – formados por
diferentes subunidades específicas para a citocina.
Receptores da família TNF – receptores que reconhecem citocinas do tipo fator de necrose tumoral, envolvidos em processos inflamatórios e apoptose.
Receptores da família das quimiocinas – receptores acoplados à
proteína G que mediam a migração celular em resposta às quimiocinas.
Qual a classificação das quimiocinas?
As quimiocinas são classificadas principalmente com base na estrutura de suas regiões contendo resíduos de cisteína próximas à extremidade amino-terminal. As principais classes são:
CXC — possuem dois resíduos de cisteína separados por um
aminoácido. Muitas atuam na migração de neutrófilos e linfócitos.
CC — possuem dois resíduos de cisteína adjacentes. Geralmente atraem monócitos, eosinófilos e linfócitos T.
C — possuem apenas um resíduo de cisteína próximo à extremidade
amino-terminal. São menos comuns.
*CX3C* — possuem dois resíduos de cisteína separados por três
aminoácidos. Um exemplo é a fractalcina (CX3CL1), que
pode atuar tanto como quimiocina quanto como molécula adesiva.
Quais citocinas/quimiocinas mais importantes secretadas por APCs?
IL-12: estimula a diferenciação de células Th1 e a produção de interferon-gama (IFN-γ), promovendo respostas imunes celulares.
IL-6: envolvida na ativação e diferenciação de células B e T, além de ter papel na inflamação.
TNF (Fator de Necrose Tumoral): promove inflamação, ativação endotelial e recrutamento de células imunes.
IL-1β: participa da resposta inflamatória e ativa células endoteliais e
leucócitos.
Quimiocinas como CCL2 (MCP-1), CCL3 (MIP-1α), CCL4 (MIP-1β) e
CXCL8 (IL-8): recrutam monócitos, neutrófilos, e linfócitos para os
locais de inflamação.
O que é o complexo CD3 com TCR e para que serve?
O complexo TCR-CD3 é uma estrutura presente na superfície dos linfócitos T. O TCR reconhece peptídeos antigênicos apresentados pelo MHC, enquanto o CD3 transmite o sinal de ativação para o interior da célula por meio de seus motivos ITAMs. Essa sinalização desencadeia a ativação, proliferação e diferenciação dos linfócitos T.
Como ocorre a sinalização intracelular?
A sinalização intracelular inicia quando o TCR reconhece o antígeno apresentado pela APC, levando à fosforilação dos ITAMs do complexo CD3 pela quinase Lck. Isso ativa a proteína ZAP-70 e desencadeia cascatas de sinalização, como MAP quinase, NF-κB e NFAT, que promovem a expressão de genes responsáveis pela ativação, proliferação e diferenciação dos linfócitos T. A coestimulação por B7-CD28 e as citocinas da APC intensificam e regulam essa resposta.
Quais as diferenças de ativação entre linfócitos B T-dependentes e T-independentes?
T-dependentes: antígenos proteicos, precisam de T CD4+, produzem memória imunológica e anticorpos de alta afinidade.
T-independentes: antígenos não proteicos (principalmente polissacarídeos), não precisam de T CD4+, produzem principalmente IgM e pouca memória imunológica.
Qual a função das células dendríticas?
São as principais APCs do sistema imunológico, responsáveis por capturar, processar e apresentar antígenos para linfócitos T, iniciando a resposta imune adaptativa. Elas atuam como sentinelas nos tecidos periféricos, detectando microrganismos invasores ou sinais de dano.
Qual a função das células de Langerhans?
São um tipo especializado de células dendríticas localizadas na epiderme da pele. Sua função principal é capturar antígenos que entram pela pele e migrar para os linfonodos para apresentar esses antígenos às células T, assim contribuindo para a ativação da imunidade.
Como ocorre a migração celular para os linfonodos?
linfonodos ocorre após a captura do antígeno, quando as DCs sofrem maturação e aumentam a expressão de moléculas de adesão e quimiocinas, permitindo que se desloquem através dos vasos linfáticos até os linfonodos regionais. Esse processo é guiado por gradientes de quimiocinas e facilita o encontro das DCs com os linfócitos T.
Como ocorre a apresentação antigênica?
ocorre quando as DCs processam os antígenos capturados, fragmentando-os em pequenos peptídeos que são carregados em moléculas do MHC (classe I ou II) em sua superfície. Essas moléculas de MHC-peptídeo são então reconhecidas pelos receptores TCR dos linfócitos T específicos, o que é essencial para a ativação dos linfócitos T e o desencadeamento da resposta imune adaptativa.
Como ocorre a diferenciação em CD4 e CD8?
A diferenciação ocorre quando o linfócito T reconhece um antígeno apresentado por uma APC no contexto do MHC. As células T que reconhecem antígenos apresentados pelo MHC II tornam-se CD4⁺ e, sob influência da coestimulação (CD28-B7) e das citocinas do ambiente, diferenciam-se em subtipos como Th1, Th2, Th17 ou Treg. Já as células T que reconhecem antígenos apresentados pelo MHC I tornam-se CD8⁺ e, após receberem sinais do TCR, coestimulação e citocinas como IL-2, diferenciam-se em linfócitos T citotóxicos (CTLs), capazes de eliminar células infectadas ou anormais.
Qual a função das células ativadas CD4?
atuam como células auxiliares (helper), coordenando a resposta imune por meio da secreção de citocinas. Elas promovem a ativação, proliferação e diferenciação de macrófagos, linfócitos B e linfócitos T CD8, contribuindo para uma resposta imune específica e eficaz.
Qual a função das células ativadas CD8?
são principalmente citotóxicas; sua função é reconhecer e eliminar células infectadas por vírus ou células tumorais. Elas fazem isso liberando moléculas que induzem a morte dessas células-alvo, como perforinas e granzimas, destruindo assim a fonte do antígeno.
Qual a função e quais citocinas produzidas por Th1?
As células Th1 são especializadas na imunidade celular contra microrganismos intracelulares. Sua diferenciação ocorre quando uma célula T CD4 naïve reconhece um antígeno apresentado por APCs via MHC II, recebe coestimulação (CD28-B7) e é exposta à IL-12. A IL-12 ativa o fator de transcrição T-bet, induzindo a produção de IFN-γ, que reforça a diferenciação Th1 e inibe as linhagens Th2 e Th17. As células Th1 produzem principalmente IFN-γ, IL-2 e TNF-β, promovendo a ativação de macrófagos, a proliferação de células T e a ativação de linfócitos T CD8 citotóxicos.
Qual a função e citocinas produzidas pelo Th2?
As células Th2 atuam na defesa contra parasitas extracelulares, especialmente helmintos, e participam das respostas alérgicas. Elas estimulam a produção de anticorpos pelas células B, principalmente IgE, e ativam eosinófilos e mastócitos. Produzem principalmente IL-4, que promove a produção de IgE e a diferenciação em Th2; IL-5, que ativa eosinófilos; e IL-13, que contribui para a inflamação e aumenta a produção de muco. Sua diferenciação ocorre na presença de IL-4, que ativa o fator de transcrição GATA3, direcionando a célula para a linhagem Th2 e inibindo a diferenciação em Th1, favorecendo respostas imunes humorais.
Como ocorre a transdução de sinais em linfócitos T e B?
A transdução de sinais em linfócitos T e B inicia-se com o reconhecimento do antígeno pelos receptores TCR e BCR. Nos linfócitos T, a ativação do complexo TCR-CD3 leva à fosforilação dos ITAMs por quinases como Lck e ZAP-70, ativando as vias MAPK, NF-κB e NFAT. Nos linfócitos B, a ativação do BCR promove a fosforilação dos ITAMs presentes em Igα e Igβ e o recrutamento da quinase Syk, desencadeando vias semelhantes. Essas cascatas ativam fatores de transcrição que induzem a expressão de genes responsáveis pela ativação, proliferação, diferenciação e função efetora dos linfócitos.
Qual é o sinal inibitório em linfócitos T?
O principal sinal inibitório dos linfócitos T é o CTLA-4, que é expresso após a ativação celular e compete com o CD28 pelos ligantes B7 (CD80/CD86) das APCs. Como possui maior afinidade, sua ligação reduz a ativação, a proliferação e a produção de citocinas pelos linfócitos T. Além dele, o PD-1 também atua como receptor inibitório, limitando a resposta imune, promovendo tolerância imunológica e evitando respostas excessivas.
Como ocorre a ativação de linfócitos B?
A ativação dos linfócitos B ocorre após o reconhecimento do antígeno, com ou sem auxílio de linfócitos T CD4⁺. Inicialmente, no foco primário, as células B proliferam e diferenciam-se em plasmócitos de vida curta que produzem principalmente IgM de baixa afinidade, gerando uma resposta rápida. No foco secundário (centro germinativo), as células B sofrem mutação somática, seleção por alta afinidade e troca de classe isotípica (como para IgG ou IgA), originando plasmócitos de longa vida e células B de memória, responsáveis por uma imunidade mais eficaz e duradoura.
Como ocorre a ativação de linfócitos T?
A ativação dos linfócitos T depende de três sinais. O primeiro ocorre quando o TCR reconhece o complexo MHC-peptídeo apresentado pela APC; antígenos apresentados por MHC I ativam linfócitos T CD8⁺, enquanto os apresentados por MHC II ativam linfócitos T CD4⁺. O segundo sinal é a coestimulação, principalmente pela interação CD28-B7, cuja ausência pode levar à anergia. O terceiro sinal é fornecido por citocinas produzidas pela APC, que direcionam a diferenciação dos linfócitos T em subtipos efetores, como Th1 (induzido por IL-12) e Th2 (induzido por IL-4). Após esses sinais, os linfócitos T proliferam e se diferenciam em células efetoras e de memória.
Como ocorre para que serve a resposta imune adaptativa?
A resposta imune adaptativa tem como função reconhecer, combater e eliminar patógenos de forma específica, além de gerar memória imunológica. Ela inicia-se com a apresentação de antígenos por APCs aos linfócitos T, que são ativados e auxiliam na ativação dos linfócitos B ou atuam diretamente na eliminação de células infectadas. Os linfócitos B produzem anticorpos específicos contra o antígeno. Essa resposta caracteriza-se pela especificidade, expansão clonal, diferenciação em células efetoras e de memória e pela capacidade de responder de forma mais rápida e intensa em exposições futuras ao mesmo patógeno.
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